22/02/2024 às 13h04min - Atualizada em 24/02/2024 às 00h02min

Desafios e inovações na luta dos Povos Indígenas na Amazônia

Estratégias unificadas e tecnologia fortalecem comunidades na defesa de territórios e tradições

Nice Castro
divulgação
A atenção se volta para os desafios enfrentados por essas comunidades na Amazônia.
Fabiana Prado, gerente do LIRA/IPÊ – Legado Integrado da Região Amazônica, idealizado pelo IPÊ -Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia/BNDES e Fundação Gordon and Betty Moore, parceiros financiadores, destaca a importância da colaboração para garantir um futuro sustentável. “O monitoramento inovador, o estímulo à participação ativa das mulheres com a devida proteção diante das ameaças de gênero, além da união de esforços aparecem como peças-chave nesse quebra-cabeça ambiental”, afirma.

Recentemente, o evento "Legado Amazônico: Tecendo Redes na Gestão de Áreas Protegidas", realizado em Brasília para comemorar os cinco anos do LIRA, reuniu 400 representantes de diversos setores comprometidos com a conservação do bioma. Estratégias unificadas foram discutidas para enfrentar desafios cruciais, como as invasões em áreas protegidas.

O encontro ressaltou a urgência do uso de inovações no monitoramento e proteção dessas áreas, incluindo o papel das tecnologias, como drones, celulares e internet, no fortalecimento das comunidades na vigilância contra invasores. Contudo, o monitoramento vai além da tecnologia avançada, como evidenciado por Bepdjyre Txucarramãe, representante do Instituto Kabu, que utiliza aviões, barcos e patrulhas a pé para proteger as Terras Indígenas Baú e Menkragnoti, no sul do Pará. "Nossa batalha é contra os impactos causados pelo garimpo, pescadores e madeireiros. É fundamental compreender que as consequências do garimpo nos afetam, causam doenças, contaminam os peixes e também nos contaminam. Nossa subsistência depende da caça e da pesca", disse.

Tejubi Uru-Eu-Wau-Wau, presidente da Associação do Povo Indígena – Jupaú, ressalta a significativa participação das mulheres no monitoramento de terras, liderando grupos dedicados a essa missão. "Como mulher e cacique da aldeia, nosso grupo de monitoramento é composto exclusivamente por mulheres", destaca Tejubi. Nesse contexto, a discussão abrange não apenas as ameaças ao povo indígena, mas também aquelas relacionadas ao gênero.

Jéssica Holles, do Instituto Maíra, relata que a instituição, em parceria com o LIRA, está desenvolvendo uma abordagem de segurança destinada a defensoras ameaçadas. “O objetivo é auxiliá-las não apenas na proteção física, mas também no processo de emancipação”, diz. Atuando em territórios nacionais e internacionais, o Instituto Maíra busca contribuir para a emancipação de povos e comunidades tradicionais, fortalecendo o princípio da autodeterminação. Sua abordagem envolve formação em direitos humanos, elaboração de protocolos de segurança, acompanhamento jurídico e psicológico, além da criação de redes de apoio.

O LIRA destaca não apenas os desafios persistentes, mas também a resiliência e inovação demonstradas por essas comunidades na busca por um futuro sustentável e equitativo na região amazônica. “Com o LIRA, nosso objetivo é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem, com suas funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais”, pontua Fabiana Prado.
 
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