05/07/2024 às 02h29min - Atualizada em 05/07/2024 às 02h29min

Empresário fala os motivos que o levaram a trocar o Brasil pelos Estados Unidos

Bruno Corano, que é economista e investidor, diz ser um brasileiro que vive nos Estados Unidos. Ele ressalta: “Consegui sucesso fora do meu país, mais precisamente em Nova York, local em que muitos sonham morar e se estabelecer. Construí minha vida pessoal e profissional aqui, mas isso não quer dizer que eu não sinta por ter deixado o lugar em que nasci”.
Corano, afirma que sente falta das pessoas, pois se identifica com a cultura, gastronomia e clima do Brasil. No entanto, para o economista, talvez tirando esses três itens, infelizmente, falo com segurança, que o Brasil está atrasado em muitos aspectos que interferem na vida de cada um de nós. 
“A primeira e maior razão que me fez sair do Brasil foi a falta de segurança”, destacou o empresário .
Ainda de acordo com o economista, essa ‘insegurança’ fez com que ele cansasse de uma rotina de  viver trancado como se fosse  criminoso. Ele afirma: “Aqui nos Estados Unidos é o inverso: os marginais estão presos e nós, livres”.
 O economista e investidor,  enfatizou ainda que é  impossível andar na rua com relógio, laptop, aparelho de celular e não se sentir inseguro. Passou a ser igualmente impossível parar em um semáforo e não ficar preocupado, alerta com a possibilidade de alguém se aproximar. O principal motivo, portanto, foi a segurança - ou a falta dela.
Para ele, os demais fatores têm uma conexão: o fato de que o Brasil não é um país em que exista algo que vou chamar de justiça, ou de coerência. Quando eu falo justo ou coerente quero dizer que, no Brasil, as pessoas que têm sucesso e dinheiro são punidas.
Segundo Corano, os empreendedores que dão certo, que geram empregos, muitas vezes são mal vistos pelo sistema. “Cito, por exemplo, o fiscal, de inúmeras esferas e departamentos, que cria problemas só para poder ‘vender’ uma solução. Quem tem sucesso atrai uma espécie de carga negativa da sociedade”, disparou o empresário. 
Na avaliação  dele, essa energia direcionada a quem tem mais recursos está na nossa cultura. Nos Estados Unidos, se a pessoa deu muito certo, é admirada e sempre há perguntas sobre o caminho que o empreendedor percorreu, feitas por gente que quer ficar por perto para aprender. 
“Vejo que esse sentimento, no Brasil, não é de admiração. As pessoas querem saber como tirar proveito próprio do sucesso do outro. É uma dinâmica muito hostil. O que se fala é ‘porque ele conseguiu e eu não”, afirma o empresário. 
Corano enfatiza que o país não tem eficiência, lógica, equilíbrio e justiça. A pessoa tem um celular, o sinal cai; sai à rua, o pneu fica destruído por conta dos buracos gigantes. O empresário recolhe todos os impostos, e, mesmo assim, é autuado. Até porque a legislação é confusa e com múltiplas interpretações para muitas cláusulas e questões tributárias. 
 Segundo ele, o Brasil também tem um sistema de justiça ineficiente. O crime, notoriamente, compensa. A partir daí, as coisas não funcionam. Nos Estados Unidos todo mundo tem igualdade de acesso às coisas. Existe equilíbrio, a justiça funciona para todos. Vemos pessoas muito importantes sendo presas e permanecerem atrás das grades. 
 De acordo com ele, um exemplo emblemático disso é o caso do jogador de futebol norte-americano O.J. Simpson, milionário e famoso mundialmente. Ele ficou preso por nove anos. Aqui nos EUA eu encontrei paz, segurança, justiça e equilíbrio para desenvolver talento, colher da sociedade e dar algo bom de volta, em um ciclo virtuoso. Resumindo, tudo é muito burocrático e confuso. Isso cria um sistema caótico que gera muito desgaste. Viver no Brasil é como estar num jogo de basquete: você faz vários passes, chega ao garrafão, sozinho, faz o arremesso para marcar uma cesta e, de repente, o juiz apita e fala que você colocou a mão na bola. E diz – agora é futebol. E não adianta argumentar que as regras mudaram no meio da partida. Esse é o Brasil. Ao mesmo tempo muito triste e uma piada.
 O empresário e investidor, pontua: “É importante dizer que os Estados Unidos não são um lugar perfeito. Não existe lugar perfeito no mundo. Se eu me mudar amanhã para a Suíça ou para a Dinamarca, por exemplo, encontrarei também pontos bons e ruins”. 
 “Faço esta análise com o real desejo de que o Brasil possa mudar, de verdade, mesmo que isso leve décadas. Com muita tristeza,infelizmente, prefiro indiscutivelmente morar aqui”,concluiu Bruno Corano.


por João Costa 
@joaocostaooficial

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