29/04/2024 às 11h30min - Atualizada em 29/04/2024 às 20h11min

A astronomia vai muito além das estrelas! 

*Daniel Guimaraes Tedesco 

Valquiria Cristina da Silva Marchiori
Rodrigo Leal

Para que serve a Astronomia? Essa é uma pergunta que eu já ouvi muito dos meus alunos, que sempre se queixavam com a frase “pra que serve isso na minha vida, professor?”, quando não entendiam o que se discutia na aula. Eu até entendo esse questionamento e considero necessário, apesar de não gostar muito. Eu começo respondendo que a Astronomia serviu – e muito – para que pudéssemos estar aqui vivos e em sociedade.  

Os estudos da Etnoastronomia trazem a luz sobre as práticas dos povos antigos em todo o mundo que faziam uso dos posicionamentos dos astros para dar suporte as suas ações: caça, pesca e até reprodução eram feitas em determinadas datas com as observações do céu! Então, agradeça as estrelas por estar vivo! 

Eu poderia encerrar aqui, mas seria um artigo chato demais! Por isso, continuo provocando aqueles que acreditam que a "ciência básica não serve para nada", demonstrando como a Astronomia contribuiu tanto com nosso uso básico de um GPS, Wi-fi e o celular. O funcionamento dessas tecnologias, que muitas das vezes nos definem como indivíduo, dependem diretamente do conhecimento astronômico. 

Imaginem as órbitas de milhares de satélites e como tudo é gerenciado? Princípios astronômicos, de fato. A capacidade de manobrar esses satélites em caso de necessidade, ou mesmo protegê-los contra tempestades solares, potencialmente destrutivas, me faz pensar o tanto que essa ciência ancestral desempenha em nossa segurança e bem-estar tecnológico. 

Por falar em celular, um sensor CCD hoje é algo comum nos nossos aparelhos graças a Boyle e George Smith, que na década de 1970 revolucionou a maneira como capturamos imagens no campo da astronomia. O CCD transforma luz em sinais elétricos e substituiu as placas fotográficas em telescópios. Isso abriu o caminho para as câmeras digitais modernas que, obviamente, está no seu celular. Essa popularização nos levou a avanços na imagem digital, beneficiando na detecção precoce do câncer de mama, através da mamografia digital, além de estar presente em tantas outras áreas fundamentais! 

Você ainda está insatisfeito? Saiba que ee o monitoramento do Sol e de estrelas parecidas parar, corremos o risco de não estarmos preparados para um possível pandemônio tecnológico, nos próximos anos. O Sol, apesar de ser uma estrela de meia-idade e relativamente estável, produz eventos com energias gigantes que podem causar danos significativos à infraestrutura tecnológica da Terra. Em 2012, um artigo da Nature relatou a observação de 365 superflares em estrelas do tipo solar, incluindo algumas de estrelas que giram lentamente, semelhantes ao Sol. A chance de termos eventos como de 1859, conhecido como Evento de Carrington (convido você a pesquisar sobre), que demonstrou o impacto potencial de fenômenos solares na tecnologia, mesmo numa época em que a sociedade era menos dependente dela. Um evento solar extremo nos dias de hoje, poderia resultar em prejuízos de até alguns trilhões de dólares com um tempo de recuperação de até dez anos.  

Poderia fechar o texto com uma mensagem de que a Astronomia não é apenas uma janela para saciar nossa curiosidade sobre o universo, mas também uma questão de sobrevivência, mas termino trazendo as contribuições femininas, na luta para alcançar reconhecimento em um campo historicamente dominado por homens. Desde Hipátia de Alexandria, uma das primeiras mulheres a fazer contribuições significativas para a astronomia, até as figuras contemporâneas como Jocelyn Bell Burnell, descobridora dos pulsares, e Cecilia Payne-Gaposchkin, quealém de dar luz a nossa compreensão da composição estelar é um testemunho da luta pela igualdade no campo científico. Celebrar suas realizações e de muitas outras mulheres na astronomia é reconhecer que a Astronomia contribuiu para a discussão da diversidade e inclusão. 

E aí? A Astronomia foi muito além das estrelas? 

*Daniel Guimarães Tedesco é Doutor em Física pela UERJ, Professor da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas e do Programa de Pós-Graduação em Educação e Novas Tecnologias no Centro Universitário Internacional Uninter. 


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