26/03/2024 às 17h51min - Atualizada em 27/03/2024 às 00h05min

Síndrome de Müller-Weiss é rara e pode causar muitas dores

Andreia Souza Pereira
Internet

Em  junho de 2022, após ganhar seu décimo quarto título de Roland Garros, o tenista espanhol Rafael Nadal, um dos maiores nomes do esporte, disse estar com dificuldades de jogar e confessou não poder continuar sua profissão por um problema que possui no pé esquerdo, seu lado mais forte do corpo, por ser canhoto.

 

A condição que o fez passar por tantas dificuldades, apesar de conquistar seu Grand Slam “favorito”, é chamada de Síndrome de Müller-Weiss. Ela consiste na osteonecrose (morte de um osso) do osso navicular no pé, localizado entre o tálus e os ossos cuneiformes (em formato de cunha, fazem articulação com o osso navicular e com as bases do primeiro ao terceiro ossos do metatarso). Assim como em outros ossos, isso ocorre por razões multifatoriais, mas a frágil vascularização da região é uma explicação anatômica compartilhada por outros que também sofrem com a osteonecrose, como os sesamoides nos pés ou o semilunar na mão.

 

 

Quando a pessoa começa a ter esse problema, os sintomas que costumam acompanhar a síndrome são, principalmente, relacionados à dor e ao desconforto, que evoluem conforme há a piora da doença, com deformidade no pé e dificuldade para andar e praticar atividades físicas. Nos exames de radiografia, o osso navicular, quando em fase mais avançada, exibe um formato semelhante ao de vírgula, e, nos últimos estágios, pode acarretar na destruição completa das articulações próximas ao local.

 

Conforme a síndrome avança e há a necessidade de tratar dos problemas que ela causa, o indicado, inicialmente, é se manter conservador e envolver medidas suportadas, como fisioterapia, analgésicos, órteses e palmilhas próprias. se houver falha desses tratamentos, existe, também, a possibilidade de cirurgias de descompressão, feita em estágios bem iniciais, associada a uso de biológicos. Entretanto, em casos mais avançados, a artrodese (fusão óssea) passa a ser uma opção viável e recomendada.

 

Segundo o ortopedista especialista em pé e tornozelo, Tiago Baumfeld, “Não é possível saber, de fato, o que o tenista fez para conseguir jogar diversas partidas num curto período de tempo, ainda mais com seu estilo de jogo, que exige mais da musculatura e da estrutura óssea do corpo, especialmente do pé. Porém, o imaginável, e amplamente divulgado na mídia na época, foi ele ter passado, diversas vezes, pelo processo de ‘infiltração’. Muito provavelmente, ele recebeu variados bloqueios anestésicos ou injeções de corticoide, podendo ser as duas opções unidas, para permitir que ele tivesse mobilidade e condição de jogo. Dessa forma, ele pôde competir e conquistar, novamente, o torneio de Roland Garros”.

 

 

Ainda não é sabido qual o principal fator que leva as pessoas desenvolverem essa condição, mas uma das possibilidades é o fator genético. Mesmo assim, de acordo com Tiago Baumfeld, “Os conhecimentos sobre a Síndrome de Müller-Weiss ainda são limitados, pelo fato de que a condição é bastante rara. Entretanto, com os avanços ocorrendo na medicina e na tecnologia de diagnóstico, o esperado é que o entendimento sobre ela possa melhorar nos próximos anos. Isso pode fazer com que as abordagens de tratamento se tornem mais eficazes e as intervenções possam ocorrer de forma precoce, aprimorando os resultados para os pacientes afetados”.


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