21/03/2024 às 00h25min - Atualizada em 22/03/2024 às 00h05min

Tecnologia é aliada para alfabetizar crianças afetadas pelo gap da pandemia

Recursos de personalização, interatividade e acessibilidade são ferramentas poderosas em sala de aula

Jéssica Oliveira
Divulgação

O número de crianças que não sabem ler ou escrever dobrou de 2019 para 2022, segundo dados divulgados em 2023 no relatório Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Já o Alfabetiza Brasil divulgado em maio pelo Ministério da Educação aponta que apenas quatro em cada 10 crianças estão alfabetizadas no país. A pesquisa sinalizou uma queda em relação a 2019, indo de 60,3% para 43,6% das crianças. 

Apesar do período de pandemia aparecer como um dos principais motivos de piora dos índices, especialistas apontam que é dever de todos os envolvidos com a educação olhar para a formação de base e fazer o possível para mudar esse quadro, inclusive olhar para a tecnologia de forma diferente.

Para Liliane Fernanda Ferreira, diretora da B2G, distribuidora da marca Quinyx, que fornece produtos de tecnologia educacional, além de investimentos em professores, metodologias diferenciadas, acompanhamento mais próximo de cada aluno, as escolas precisam enxergar a tecnologia como parceira no processo da alfabetização.

“As ferramentas digitais emergem como aliadas na mitigação dos efeitos negativos da pandemia na alfabetização. Elas proporcionam às crianças acesso contínuo à educação. Além disso, têm o potencial de personalizar o ensino, adaptando-se às necessidades individuais de cada aluno, ao mesmo tempo em que tornam o processo de aprendizagem mais dinâmico, interativo e estimulante”, afirma.

A especialista lembra como esses recursos digitais foram importantes no desafio que os professores tiveram de alfabetizar remotamente, adaptar o ensino individualmente, considerando o ritmo, dificuldades e interesses dos alunos. 

Muitos utilizaram opções diversificadas, como jogos, aplicativos personalizados e atividades lúdicas, para oferecer aprendizado envolvente, mesmo sem acesso constante à internet ou computadores. Outra estratégia essencial foi proporcionar feedback imediato, permitindo às crianças corrigir erros e fortalecer o aprendizado, com acompanhamento por meio de chats, vídeochamadas e aplicativos de avaliação.

“O uso de recursos digitais pode desempenhar um papel significativo na melhoria da alfabetização no Brasil, seja por permitir a adaptação ao aprendizado, por tornar o acesso mais abrangente, ou por estimular o engajamento pela abordagem mais interativa e motivadora em comparação às aulas tradicionais”, reforça.

Falando da Mesinha Digital, por exemplo, Liliane elenca alguns exemplos de recursos importantes. Um deles são os aplicativos de alfabetização personalizada, que se adaptam ao nível de habilidade de cada criança, oferecendo exercícios e jogos interativos para fortalecer áreas específicas, como reconhecimento de letras, formação de palavras e compreensão de textos curtos. 

Outra opção está em jogos de matemática adaptativa, que trazem desafios de acordo com o progresso individual de cada aluno, oferecendo atividades adequadas desde operações básicas até conceitos mais avançados.

Há ainda plataformas de leitura interativa, com acesso a uma variedade de livros digitais interativos, com ferramentas que incluem narração automática, interações táteis na tela e atividades de compreensão de leitura.

Vídeo com exemplo: https://www.youtube.com/shorts/PiUZ7oRf_ho 

E se engana quem acha que usar ferramentas digitais na educação pode atrapalhar a alfabetização da criança ou que não combina com sala de aula. Liliane comenta que a preocupação é compreensível, pois há receios sobre a possível distração ou substituição de métodos mais conhecidos, mas avalia que, bem feita, a integração de tecnologia na educação só ajuda. Esses recursos adaptativos e personalizados mostram como a tecnologia pode ser usada de forma eficaz para atender às necessidades individuais das crianças, auxiliando na recuperação do aprendizado mesmo após o período desafiador da pandemia”, diz. 

Inteligência artificial na alfabetização
Falando em tecnologia, a especialista também chama a atenção para um avanço significativo na abordagem da alfabetização por meio da tecnologia. A própria Quinyx tem diversos aplicativos de IA desenvolvidos especialmente para atender às necessidades específicas de aprendizado das crianças em diferentes estágios da alfabetização. 

Unindo conteúdo educacional e impulsionados pela IA, esses apps abordam desde a introdução ao alfabeto e reconhecimento de letras até atividades avançadas de compreensão textual. “Eles oferecem feedback imediato, adaptando o conteúdo com base nas respostas e no desempenho de cada criança, garantindo um ensino mais eficaz e envolvente. Além disso, a presença da IA é uma ferramenta que não substitui, mas aprimora o papel do educador, fornecendo suporte individualizado para os alunos”, explica.

 


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